Descobrindo: Jacqueline Oliveira

Jaque é uma daquelas guerreiras que a gente tem gosto de ter por perto. Linda, talentosa, ousada e sommelier de cerveja, ela é tudo que a mulher moderna aspira ser. E como eu gosto de entrevistar gente que admiro, o DESCOBRINDO de hoje é com essa super mulher…Abram alas!

Ac_Sommelier-67– Pra começar, me conta uma coisa: Qual a sua formação?

Sou pós-graduada em Gestão Estratégica da Informação pela UFMG, Sommelier de Cerveja pela Academia Sommelier de Cerveja.

– Como aconteceu a sua mudança de vida?

Em 2011, fui convidada pelo Marco Falcone e Fabiana Arreguy para Coordenar o Curso de Sommelier de Cerveja . Em 2012 comecei a me dedicar ao mercado das cervejas especiais e a paixão virou meu trabalho. E o que pode ser melhor que trabalhar com o que você gosta, não é mesmo? Hoje faço gestão de mídias sociais para diversas cervejarias e bares que trabalham no segmento. Atuo como consultora de eventos, sou da Confece – 1 Confraria feminina da Cerveja do Brasil, sou Diretora da Acerva (atualmente licenciada) . Enfim, respiro cerveja!

academiaMembros da Academia Sommelier de Cerveja, Fabiana Arreguy e Marco Falcone.

– Fale um pouco sobre a Confece.

A Confece foi a 1 Confraria Feminina da Cerveja do Brasil. Surgiu de um evento no Haus onde Cilene Saurin, uma Sommelier de Cerveja, pioneira no mercado, fez uma palestra sobre cervejas especiais. Da palestra surgiu um grupo de mulheres que começou a se reunir até chegar no formato de hoje: somos 10 mulheres que se reúnem mensalmente para estudar. Cada confreira prepara uma reunião em um bar ou em sua residência onde harmonizamos cerveja e gastronomia, sempre ligado a um tipo de estudo (escola, estilo, cervejas de inverno). Vc até pode pensar que hoje em dia isto é comum, mas a Confece tem todo o meu respeito pois iniciou em um tempo que o mercado ainda era pequeno, as cervejas especiais eram poucas e um espaço tipicamente masculino. O ponto alto da Confece é a festa de aniversário, que hoje ocupa no cenário nacional um lugar de destaque no calendário nacional e que atrai cervejarias, restaurantes e afins como parceiros.

CONFECE 2014-152

Meninas da Confece

– O que você acha do Mercado Cervejeiro em Minas?

Podemos dizer que de 5 anos para cá o mercado simplesmente cresceu muito! Lembro de que ao ir aos eventos a gente sempre encontrava as mesmas pessoas apaixonadas pelas cervejas especiais e dispostas a pagar mais para beber melhor. Hoje, sinceramente, não consigo acompanhar o crescimento. São dezenas de cervejarias abrindo seja montando sua própria fábrica, seja na modalidade cigano, onde elas utilizam a planta das cervejarias para fabricar suas cervejas. O Governo de Minas acabou de reconhecer o o Arranjo Produtivo Local (APL) das Cervejarias Artesanais da Região Metropolitana de Belo Horizonte: que será composto por um conjunto de empresas de um segmento produtivo, localizadas na mesma região, trabalhando de forma cooperada e mostra o reconhecimento, por parte do Estado, da importância do setor para a economia local.

“Informações do Ministério da Agricultura apontam que o estado possui 61 microcervejarias registradas, 31 apenas na região da grande BH. Dados do Sindicato das Indústrias de Cerveja e Bebidas em Geral do Estado de MG (SindBebidas), indicam que mensalmente sejam produzidos em todo o estado 1,5 milhão de litros de cervejas artesanais. A previsão de crescimento do setor em 2017 é de 14%”

Os eventos tomam conta de Minas Gerais atingindo não só a capital como no interior, levando a cerveja artesanal para um público disposto a pagar mais caro mas beber com prazer. Aqui em BH a Experimente, que acontece no Jardim Canadá mensalmente, se consolidou com um dos maiores fenômenos e seguramente podemos falar que, nos finais de semana, a cervejas especiais estão em inúmeros eventos de cervejas que acontecem na capital. Desde uma feira para presentear os pais até em eventos que ocupam um dos sábados do mês como o Atitude Artesanal e o Junglebier  – que vai ter sua 1 edição no charmoso Bar do Marcinho – não resta dúvida que o mercado de cervejas especiais ocupa um lugar de destaque na economia.

ELA

– E a participação das mulheres, como é? O que precisa melhorar?

Estamos em todos os setores: somos as mulheres que carregam o barril, as que fazem as cervejas, estamos nos campos de pesquisa, tocamos bares e eventos, dando aulas, palestras, sendo juízas em concursos, sommeleiers , que cansadas de ouvir termos como “cerveja para mulher”, “quero falar com o cervejeiro responsável”, “mulher não deve ir ao bar sozinha” criaram o ELA um coletivo para enaltecer o trabalho da mulher no meio e denunciar ações machistas por parte da indústria cervejeira e da sociedade em geral. A mobilização iniciou em maio, logo após a divulgação de um novo rótulo de cerveja que explorava negativamente a imagem de uma mulher. “Essa história de peito e bunda na cerveja já deu, né? Estamos no mundo da cerveja tanto quanto eles, trabalhamos tanto quanto eles e precisamos de respeito”,

Para isto lançamos uma cerveja exclusiva e, para celebrar o coletivo, produzimos um rótulo exclusivo. Juntas, definimos o estilo, elaboramos a receita, nome, identidade visual e parte do grupo foi para a Cervejaria Dádiva, de Várzea Paulista (SP) que cedeu o espaço e os equipamentos, onde as mulheres fizeram todo o trabalho. O estilo escolhido foi o American Barley Wine, de amargor mais acentuado que a sua versão de origem, inglesa, para fugir totalmente do estereótipo de que mulher gosta apenas de cerveja leve e doce. Com 10% de graduação alcoólica, leva maltes tostados e lúpulos americanos de aroma e amargor.O lucro obtido com a comercialização da cerveja com os lançamentos em todo o Brasil foi doado ONG Artemis, de São Paulo.

Então o recado está dado: Não tem cerveja para mulherzinha, não usem nossos corpos para vender cerveja. Queremos o mesmo respeito que damos para todos que fazem boas cervejas.

Um brinde a Jaque!

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