Responsabilidade afetiva: Você tem?

Depois do caso da blogueira que morreu após seu noivo terminar o relacionamento por whatsapp, achei essencial publicar novamente esse texto. Mais do que nunca devemos ser responsáveis pelos nossos atos e olhares e buscar o amadurecimento pessoal e profissional. Afinal, quando um não quer, dois não brigam. Mas quando a vida pede mais, esteja, ao menos, atento!

tu-te-tornas-eternamente-responsavel-pelo-que1Essa frase de Saint Exupéry do clássico “O Pequeno Príncipe” anda um pouco esquecida. Para não falar totalmente. Ando intrigada com a total falta de comprometimento – e até mesmo educação – que as pessoas têm demonstrado nas relações, tanto pessoais como profissionais.

Tenho me sentido sempre em suspense, tentando antever o próximo passo. Coisas bobas, como responder um e-mail, honrar um compromisso, ser atencioso mesmo, estão deixando de existir. Tenho passado por situações tão bizarras – tipo:

– Te respondo daqui a pouco.

E o pouco já virou um mês.

Ou:

-Vamos sim! Já já nos vemos.

E nunca mais nem vi nem ouvi.

Quantos de nós não vê uma mensagem no whatsapp e simplesmente não responde? Ou desativa aqueles dois tracinhos azuis – quer coisa mais irritante do que a pessoa ver e não responder? – só para não ter que dar satisfação?

E vamos atropelando a vida sem prestar atenção em quem está por perto. Fazemos amizades, despertamos desejos, compartilhamos ideias e aquilo  – ou seja, a pessoa – se perde como apenas mais um número.

Colecionamos amigos e projetos como quem guarda figurinhas. As repetidas não servem. As mais difíceis merecem alguma atenção. Mas, no fim, todas fazem apenas parte de um álbum – no face, insta ou em qualquer outra esfera do mundo virtual – que olhamos, admiramos, invejamos ou apenas vigiamos para o nosso próprio prazer.

Somos vítimas desse prazer solitário. Talvez por impaciência,preguiça ou excesso de informação, simplesmente não damos o próximo passo em direção a uma relação. O papo até agrada, o visual é bacana, o beijo contagia, mas temos tantos compromissos e dispersões, que vamos nos tornando apenas mais um. Na vida de cada um.

Eu gosto de gente. E gostaria de estar com os meus muito mais do que faço. Tenho milhões de projetos. Que esperam um segundo encontro. Boas conversas, alguns arrepios, grandes ideias nascem quando estamos juntos. Em bando ou em dois, somos sempre mais felizes e interessantes quando compartilhamos. E o afeto precisa ser dissipado. O abraço precisa de outros braços. As bocas querem outros lábios. E os sorrisos só acontecem quando acontece aquele comichão gostoso na alma. Quando nos sentimos especiais para alguém. Quando a mensagem compartilhada é respondida. Quando o afeto ganha colo. Quando o encontro se concretiza.

Cative, mas seja responsável por aquele que cativas. E outra: Se não quer, avisa! O mundo é grande e bem melhor sem uma má companhia.

 

 

 

2 Comments

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  1. 1
    Jeronymo

    A publicação questionava àqueles que estivessem por ali, na esquina online da rede, quanto à possibilidade de filtrar palavras do feed de notícias. Haviam quatro palavras, estas duas se acompanhando uma da outra: responsabilidade afetiva. “O que é isso mesmo?” me questionei antes de selecionar, clicar com o botão direito e jogar a responsabilidade pro Google. Não recordo em que posição estava, se primeira ou quinta sugestão, mas a interrogação ao final foi suficiente pra eu abrir uma nova aba dali. “Você tem? …Será que eu tenho?” Vim saber se sim ou não, mesmo imaginando que não havia um teste a ser respondido.

    No entanto, há um teste: quem aguenta ler até o fim, sentindo doer entre as linhas, com muita força, cada uma das palavrinhas e situações e recordações e momentos que ficaram já nesse segundo que passou. Sentindo doer mesmo que não tenha sido por mal, mesmo que não tenha tido a intenção, mesmo que o sem querer fique rodeando tentando, por si, em si justificar. Ai, ai, Carol… Você mexeu comigo viu? Me incomodou de verdade. Eu odeio isso? Nem um pouco. Eu muito agradeço. Obrigado.

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