22ª FUMEC FORMA MODA vem aí!

Um evento que já faz parte do calendário de moda de BH e mostra todo o talento das novas gerações: A 22ª edição do FUMEC FORMA MODA acontece amanhã, dia 1º de dezembro, 19h30, na torre Alta Vila (Nova Lima), com apresentação de 24 desfiles dos alunos do curso de Design de Moda da Fumec.Sucesso!

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O evento, que tem a coordenação do professor Antonio Fernando Batista dos Santos, conta com a produção executiva da Voltz Design e com a direção artística de Rodrigo Cezário. A banca de avaliação será formada por nomes conceituados do mundo da moda, entre eles professores, empresários, jornalistas, estilistas, produtores e stylists. Estarei lá com muita honra! Confira os novos talentos:

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Iana Pimentel
Coleção: Chuva de cores

O tempo passou, mas a lembrança é a mesma. O barquinho navegando, o pingo de tinta no papel, a gaivota no céu, o avião que ilumina tinta por todos os lados… Através das mãos de Iana Pimentel surge a coleção infantil Chuva de Cores, resgatando as lembranças felizes da infância da designer. Inspirada pela música Aquarela, de Toquinho, estampas foram criadas para dar vida a pequenas delicadezas apresentadas, unindo moda e poesia. Priorizando o movimento da criança, a modelagem vem livre em tecidos, como tricoline e neoprene, para dar conforto e vivacidade às peças.

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Ana Duarte
Coleção: Memuh

A coleção de semi joias desenvolvida pela designer Ana Duarte tem como inspiração os muros de concreto em forma de arabescos e a arte milenar de pintura corporal com grafismos de henna, como uma das tradições cerimoniais indianas, vinculados com os valores históricos, simbólicos, materiais e estéticos presentes nos ornamentos indianos.
Peças com dimensões um pouco maiores do que o convencional, shapes orgânicos e entrelaçamento de fios de metais compõem os acessórios feitos de latão, banhados a ouro rosê, com a cravação da pedra água marinha leitosa, através da lapidação Brasil em forma de navete.

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Ana Soares
Coleção: Shelter

A coleção Shelter, da designer Ana Soares, retrata de maneira intimista o prazer, a liberdade e o conforto de estar no lugar ao qual se pertence na própria terra onde as raízes estão firmadas. Contrapondo a esse movimento, a insegurança e o medo empurram para uma busca de um tipo de alto luxo desconectado e sem profundidade. Casual, a coleção traz a mistura de materiais nobres atrelados aos convencionais e faz com que a leveza, simplicidade e aconchego do tricô se contraponham à luxuosidade, sobriedade e rigidez do couro. A textura feita manualmente de maneira delicada faz alusão à terra, suas formas orgânicas e sua multiplicidade. Assim, terra, raízes e proteção são as principais linhas entrelaçadas nesse emaranhado de emoções.

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Bárbara Capobiango Santos
Coleção: Tem Gente Que Nasce Poesia…

A poesia de Manoel de Barros reinventa o mundo, as palavras, os sentidos. Ao subverter a ordem pré-determinada das coisas, rompe os limites semânticos num descomportamento por meio do qual o desimportante assume lugar poético numa obra que toca com mãos de infância o terreno da simplicidade. Em “Poeminhas pescados numa fala de João”, o poeta transforma em pura poesia a voz da criança. É essa fala que Bárbara Capobiango deseja fazer soar por meio das estampas criadas a partir de ilustrações autorais para sua coleção infantil.

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Bruna Lima
Coleção: London Calling

A coleção London Calling, partindo de uma pesquisa sobre a arte como forma de protesto, traduz duas das principais vertentes do rock, atingindo total sintonia a partir dos controversos conceitos de revolta e glamour. Para chegar a esse resultado, uma pesquisa de figurinos foi realizada e a designer de moda, Bruna Lima, se apropriou da atitude de rebeldia do movimento punk e traduziu as roupas rasgadas em estampas de origem abstrata feitas em corte a laser. O desgaste também é representado por gravação em couro a partir da estampa vinda do conceito delírio. Contrastando com esse comportamento, o glamour do glitter rock aparece em modelagens que sugerem a feminilidade e o grande ego da época. Dentre as criações estão não só as roupas, mas também os calçados. A designer apresentou a coleção ao Universo Dakota e foi convidada pela empresa para confeccionar os calçados em parceria entre as marcas. Em um breve estágio na matriz, em Nova Petrópolis, RS, a designer continuou o processo de criação e acompanhou o desenvolvimento dos calçados. A inspiração veio da modelagem original dos coturnos militares, que foram peças indispensáveis no movimento punk, e utilizou detalhes como rebites, tiras e recortes como referência à indumentária dos jovens da época. Detalhes como o salto e o brilho do verniz trouxeram aos calçados a essência do glam.

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Camila Miranda
Coleção: Sem Título – Rui Santana

“A arte ultrapassa o conceito”/ Rui Santana (1960 – 2008)

Fiel à infidelidade técnica do artista plástico Rui Santana, a designer Camila Miranda usará a performance para apresentar a sua coleção. Como uma tela em negro, os looks surgem totalmente pretos e, durante a apresentação, partes das peças, retiradas, desnudam estampas multicoloridas, inspiradas na obra do artista. A dualidade de Santana será apontada não só na cartela de cores, mas na mescla da matéria prima; tecidos pesados contrapondo a outros fluídos e vaporosos. Os acessórios, de resina e metal remetem as rústicas “Pedras Pintadas” de Rui Santana.
Falecido em 2008, aos 48 anos, o artista plástico mineiro Rui Santana deixou uma obra tecnicamente polivalente, e alça voos em vários campos da arte. Por isso, é difícil ser “engaiolada” em uma única classificação. Sempre vanguardista, com ideias revolucionárias e, muitas vezes polêmicas, Santana observava a arte com o olhar de um pássaro e usava a natureza como tema. Atemporal e inquietante, seus trabalhos, em alguns casos performáticos, tinham a missão de “mudar as pessoas e a atitude delas diante da vida e do mundo ao redor”, como ele próprio dizia. A missão se cumpriu. Suas criações ainda hoje não apenas mudam pessoas e atitudes, mas também inspiram outras formas de expressão. Sua obra será resgatada e transferida para uma coleção de moda, pela Designer Camila Miranda.

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Carolina Martins
Coleção: Metamorfose

Metamorfose surgiu do interesse da designer de moda, Carolina Martins, de pesquisar as mudanças do corpo. A partir do estereótipo de perfeição que acarreta distúrbios psicofísicos nas populações contemporâneas, foi produzida uma coleção de lingerie que discute as transformações estéticas. Looks recortados, com texturas e estampas exclusivas e tecidos finos, como veludo e tule, modelam corpos com requinte e conforto. A partir de recursos digitais, com aplicação no design gráfico, buscou-se um diferencial nas peças que brincam com as particularidades do corpo e as práticas que as afetam. Em rose e preto, a Metamorfose refaz os corpos, deixa-os livres e os prende novamente, a partir do desejo de quem veste.

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Cilete Cândido
Coleção: Sos Cerrado

Na tentativa de chamar atenção para a importância da preservação das riquezas vegetais e culturais da região do Norte de Minas, a SOS Cerrado apresenta a dualidade presente no bioma. Para traduzir a riqueza cultural da região, a designer Cilete Cândido escolheu trabalhar com texturas 3D e recortes a laser extraídos de fotografias da vegetação mais presente no cerrado, como a palmeira do buriti. Foi produzida uma trama com fitas, símbolo do folclore montes clarense, que lembra a casca do fruto do buriti, além de golas volumosas e retorcidas, que remetem à velame-flor, uma das espécies presentes no cerrado, além de fazer alusão às árvores de galhos retorcidos.
As biojoias trabalhadas com a metalização da própria folha do pequi chamam atenção para o garimpo exploratório e homenageiam o fruto, uma das principais fontes de renda para a população local. O neoprene dublado preto e branco mostra a presença e a ausência em uma região que é rica culturalmente, mas pobre economicamente, o aspecto seco, em contrapartida com a textura produzida a partir de trama de fitas, sobrepostas com camada de silicone, dá um aspecto molhado que representa um enorme lençol aquífero que alimenta três das maiores bacias hidrográficas sul-americanas em contraponto ao solo aparentemente seco pela falta das chuvas.

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Daniela Felga
Coleção: Tênue

Usado diariamente para esculpir o corpo, o espartilho era conhecido como uma peça que torturava as mulheres e causava controvérsias por isso. Sempre presente no armário mais nobres e desejado pelas mais humildes, seu uso foi banido por ser considerado danoso à saúde. O espartilho reapareceu no segmento da lingerie e permanece sendo uma peça cobiçada na moda. A coleção Tênue, de Daniela Felga, traz alterações na modelagem e nos materiais para confecção de peças estruturadas com barbatanas que, desde o século 18, são extremamente sensuais. Os looks são uma releitura da elegância, sutileza e feminilidade de cada época, valorizando as curvas do corpo feminino, principalmente seios, cintura e pernas. O objetivo é mostrar as transformações ocorridas nos trajes femininos e toda a sedução por de trás peças estruturadas. Couro é elemento principal da coleção, bordados e transparências se combinam a tecidos em tiras com tela, além de um pintado à mão. Na cartela de cor, o preto é predominante e o tom de marsala propõe uma atitude feminina e contemporânea.

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Fernanda Bueno
Coleção: “Kilt Cult”

Em uma conexão entre a cultura celta e a cultura brasileira, a coleção “Kilt Cult”, é resultado do estudo dessa temática inserida ao universo feminino e masculino quanto ao estereótipo de definição das vestimentas. Com a finalidade de mesclar elementos da modelagem masculina e feminina, a designer de moda Fernanda Bueno, exibe uma coleção unissex, que traz em suas estampas, texturas e formas a desconstrução da kilt escocesa e da ideia de roupas que a sociedade majoritária impõe para o homem e para mulher, adaptados à realidade brasileira.

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Julia Metzker
Coleção: Ím.Par

No marco zero da metrópole. Suspenso. O que se enxerga? Olhe para baixo e veja o volume das ruas, os pontos vividos por pessoas, as pessoas vivas nos objetos. Há sincronismo em todos os lados, mesmo naquela esquina, inverossímil com o cruzamento torto. As vias entrecortadas tecem no chão e no corpo das mulheres, que constroem esse cenário a trama sensível do urbano. Há o preto, o clarão, o horizonte branco e o encontro entre os tons. Muitos dão o cinza como insípido, mas é nessa cor que se preenche o tricô e o emaranhado do jacquard, presentes na coleção Ím.Par, e que também colore a realidade – repleta de vida – das cidades. Pois, ainda nas formas geométricas formadas pelos cortes secos, harmonizadas com as colorações citadas, a mulher que veste as roupas da estilista Júlia Metzker recusa a limitação dos muros, mas se confunde com as vias e pelas possibilidades de uma realidade tridimensional. As peças impressas em 3D buscam profundidade, vão além da imagem, penetram na perspectiva dos dias e rompem com o marasmo da rotina.

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Laura Guerra
Coleção: Daqui Pra Onde Vamos

Esta coleção foi inspirada na força de uma fotografia: nela, a índia Tuíra, em sinal de protesto contra a construção da usina de Belo Monte, encosta a lâmina de seu facão no rosto de um representante da construtora. A cena ocorreu em 1989, mas o assunto, ao longo dos anos e até os dias de hoje, foi se tornando ainda mais difícil, complexo e incontornável, sobretudo para os povos indígenas que vivem no Xingu. Ao tratar do conflito na região e, ao mesmo tempo, do vínculo desses povos com a própria terra, Laura Guerra se propõe a desenvolver uma coleção que poderia ser tomada como uma tentativa de resistir pela permanência, acompanhada porém da incômoda pergunta sugerida desde o título: pra onde vamos? A aplicação das folhas de lã nos três looks faz pensar que na cultura indígena não há diferença entre corpo, roupa e mundo. Os povos indígenas, afinal, veem sua terra como o seu próprio mundo, e por isso ela é tão definitiva, insubstituível. A proposta da coleção caminha sobre o fio delicado da etnografia e mesmo da política, e por isso pode confundir quem espera, por princípio, uma roupa étnica ou uma abordagem politicamente previsível. Pelo contrário, com os tons claros e sóbrios da cartela de cores, além da mistura totalmente inusitada de materiais, entre a organza de seda pura, a lã virgem e o TNT, a coleção de Laura Guerra elabora o tema de maneira delicada, porém franca, e por isso mesmo surpreendente.

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Maria Clara Martins
Coleção: Simulacro

O inconsciente humano e as influências externas levam o homem a desenvolver uma tendência de criar diversas facetas sobre si mesmo. Assim pode ser definida a coleção feminina Simulacro. Ela tem o objetivo de fazer refletir sobre essa realidade. Como seres humanos, somos influenciados a aparentar inúmeras identidades, distorcendo a verdadeira essência da pessoa. A partir do estudo sobre o tema, surgiu a possibilidade de aplicar o uso da arte trompe l’oeil; enganar os olhos. Esta técnica de perspectiva pode ser utilizada para retratar a vulnerabilidade da personalidade humana. Com a criação a exploração da ilusão óptica exemplifica de forma clara as diversas “máscaras” que apropriamos. Para demonstrar o limite entre realidade e imagem, a designer Maria Clara Martins realizou modelagens em 3D. A partir dos volumes criados, foi desenvolvida a arte para impressão de modelos tridimensionais para estampa digital. A intenção gerou, nas peças confeccionadas, uma ilusão de óptica capaz de instigar o olhar humano a visualizar vários pontos de vista. Essas diferentes facetas permitem expressar as constantes mudanças de identidade e visão da personalidade humana.

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Maria Letícia Barreiros
Coleção: Lola Leria

“Todo o grande artista amolda a arte à sua imagem”.
Victor Hugo

Apaixonada por ilustração de moda e pela fusão de arte e design possibilitada por ela, a designer Maria Letícia Barreiros, após pesquisas históricas, cria sua própria personagem – Lola Leria. Criada para transmitir valores e conceitos anteriores ao produto de moda em si, Lola representa um estilo de vida, o que é muito valorizado pelos atuais consumidores, que procuram se identificar com os valores e referências que uma marca atribui a seus produtos. A coleção, que tem Lola como ícone, traz um ar descontraído. A paleta de cores candy, a torna irresistível. Um estilo ladylike com shape de cintura marcada, laço, pregas e detalhes com pérolas traz um contraponto a outro de referência esportiva, com o uso de neoprene, transparência e textura em metalassê. O design de superfície, desenvolvido a partir de aquarela da própria designer e transformado em estampa, evidencia seus dons na arte e ilustração.

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MARIANA BAPTISTA
Editorial: Dress Hunter

O editorial Dress Hunter, de Mariana Baptista, parte da estética dos anos 1950 a 1980 e da cultura pop, tendo como referência as produções de moda realizadas pela figurinista Patricia Field, apresentadas em séries e filmes.
As fotografias apresentam o cotidiano de uma garota com sua forma singular de se vestir e seu comportamento atípico, quase misterioso. A personagem, garota na faixa dos 20 anos adepta do estilo high low, mistura peças garimpadas em brechós do mundo afora, com outras pescadas do baú da avó e do guarda-roupa da mãe. Compondo com tais relíquias, veste ainda peças criteriosamente escolhidas de suas renomadas marcas preferidas. Caminhando pelo mundo com passos firmes, a garota transmite confiança e estilo por onde passa, atribuindo novos valores e significados às roupas com suas produções. Nasce daí o conceito do editorial que convida à pergunta de quem curioso a vê passar: Quem é esta garota?!

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Marina Nazar
Coleção: “Um Todo”

Percebe-se, hoje, um crescente interesse pela sustentabilidade, que abrange diferentes frentes, sendo uma delas o desperdício. Preocupada com o futuro, reflexo do hoje, a coleção “Um Todo”, da designer Marina Nazar, é inspirada no que, aparentemente, não tem mais utilidade, mostrando que é possível ter boas soluções e chegar ao belo a partir do descarte massivo. Desenvolvida especialmente para pessoas com preocupação sustentável e que valorizam um design diferenciado, a coleção foi composta por peças que possuem diferentes recortes e tecidos texturizados ou não, somados a uma mistura de cores e estampas. Esses tecidos provêm do aproveitamento de resíduos das confecções Faven e Coven, ou seja, as peças são 100% produzidas com material que não teria mais utilidade.
A cartela de cores é composta por diversos tons de laranja, vermelho e azul marinho e dourado, que nasce da articulação das sobras, demonstrando que a harmonia pode vir de uma combinação inusitada. Assim, as malhas utilizadas captam, em sua trama, o peso que a causa carrega: é importante preservar e utilizar as condições que temos nos dias atuais para que isso não pese no futuro, sendo ele o nosso ou das próximas gerações.

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Michéllin Freitas
Coleção: Mimese

“A principal ocupação do espírito humano é esforçar-se por se iludir”. (L’Arétin)

O surgimento dos relacionamentos sociais digitais transformaram as redes de comunicação em espelhos que refletem o cotidiano das pessoas e geram o narcisismo coletivo em rede. Esse foi o ponto de partida para o desenvolvimento da coleção Mimese, da designer Michéllin Freitas. Trabalhando os conceitos de aparência, reflexo e redes, os looks representam os narcisistas da era do exibicionismo digital que, mais que se apaixonar pelo próprio reflexo, visam a admiração da imagem pelo outro. Criada para a mulher contemporânea que valoriza a forma, a coleção traz peças atemporais com comprimentos curtos e toque sport chic. A cartela de cores é composta por tons metálicos e branco. Os tecidos utilizados são couro sintético, gazar etoile e neoprene, com presença de matelassê.

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Patricia Slaviscki
Coleção: Preciosa Dualidade

A coleção desenvolvida pela designer Patricia Slaviscki busca inspiração nas gemas (diamante, rubi, safira e esmeralda) e na lapidação em facetas. Intitulada “Preciosa Dualidade”, ela busca, por meio de experimentações no design de superfície, trabalhar com a dualidade existente nas pedras, desde a rusticidade da pedra bruta até a leveza e delicadeza após lapidadas. A textura prensada, remetendo à lapidação, as sobreposições transparentes marcadas pelas nuances facetadas, mostram leveza e rigidez. O tecido tecnológico representa o lado rústico da pedra. E a cartela de cor inspirada na sobriedade das gemas traz sofisticação e preciosidade à coleção.

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Rayssa Colares
Coleção: Distúrbios

A roupa representa um traço da individualidade. Não é apenas algo externo às pessoas, ela também reflete uma expectativa pessoal a ser atendida. Expressa a realidade social e fundamental de cada indivíduo, seu estilo de vida.
A coleção Distúrbios, criada pela designer Rayssa Colares, traz à moda uma leitura das consequências desencadeadas a partir da influência dos modelos de beleza, como a aparência magra e delicada do mundo lúdico das revistas e passarelas. Tecidos naturais e sintéticos, nudez e volume, estruturas rígidas e macias contrastam entre si em um diálogo que pode ser traduzido como a junção do real e do artificial na sociedade consumista. Brilhos e texturas despertam o desejo do toque, direcionando a atenção para a suavidade da pele nua. As cores cinza e marrom, em tons escuros, evidenciam monotonia e seriedade, destacando a beleza viva do corpo que as veste.
Detalhes sobre as peças representam o aspecto remendado das roupas pequenas demais para corpos também não tão largos, a exposição do corpo como uma vontade intensa de mostrar à indústria da beleza uma inclusão na mesma, por mais decadente que sua aparência possa parecer.

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Renata Coelho
Coleção: Congado – Sincretismo Criativo

A coleção Congado – Sincretismo Criativo, da designer Renata Coelho, retrata a manifestação da cultura congadeira mineira de forma criativa e autêntica. Cores terrosas são o pano de fundo e remetem à cultura enraizada. As franjas e os tons vibrantes (dourado, vermelho, verde, rosa e laranja) relembram os instrumentos típicos, o batuque, a dança e a fé. O tricô e os bordados são trabalhos minuciosos, inteiramente manuais, e trazem à tona a tradição do movimento. A musseline de seda e cetim de seda com aplicações de tiras bordadas em ponto russo dão delicadeza à coleção. Os acessórios (brincos, pulseiras e tiaras) fazem menção ao catolicismo, às imagens sacras e aos terços. Além disso, a coleção faz um contraponto entre a tradição e o luxo e retrata, de forma subliminar, o sincretismo presente no movimento. O congado consiste numa manifestação cultural e religiosa afro-brasileira. Em seu enredo, destacam-se as tradições históricas, usos e costumes de Angola e do Congo, com influências ibéricas em relação à religiosidade. Mescla cultos católicos e africanos num movimento sincrético. Basicamente, retrata a vida de São Benedito, o encontro da imagem de Nossa Senhora do Rosário submergida nas águas e a representação da luta de Carlos Magno contra as invasões mouras. A temática foi escolhida por se tratar de uma tradição familiar. O congado está presente nos costumes familiares, tanto dos Rezende Santos (materno), quanto dos Fernandes Coelho (paterno). O tema é uma forma carinhosa de homenagear os avós e a tradição presente há tantos anos na família.

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Victória Campos
Coleção: Maví

Por roupas que nascem no mar e tomam a terra, Maví, uma coleção pensada para mulheres que não se delimitam, traz, tanto para a orla quanto para o centro, uma roupa contemporânea, feita com a minúcia da renda filé. Os cortes versáteis, em cores marinho, bege e off-white, permitem que as peças se adequem e reproduzam chão e a água, conciliando no corpo feminino espaços anteriormente separados. Atenta ao movimento das águas-vivas, suas curvas, sua elasticidade e versatilidade, repletas, líquidas e modulares, a estilista Maria Victória Campos desenvolveu shapes fluidos, que valorizam o corpo feminino. Sem limitá-la ao espaço praia, a coleção oferece o espaço urbano à mulher sem que ela perca em elegância e sofisticação. Seja nos clássicos maiôs e biquínis, nas hot pants e saias, ou na beleza da renda filé produzida exclusivamente para a coleção, Maví não traça um lugar específico onde possa ser usada, mas invade todos com feminilidade e encanto. Não satisfeitas em serem somente admiradas no mar, elas desaguam em outros espaços e os inundam.
Maví é uma irresistível onda tomando a areia.

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Luiza Senna
Coleção: Tramas

Luiza Senna, na coleção Tramas, buscou uma nova forma de produção de vestuário. A partir de uma extensa pesquisa dos possíveis materiais e técnicas para a substituição da costura no processo de construção de uma peça de roupa, a designer encontrou no silicone a solução do problema. Amplamente utilizado na indústria alimentícia, de calçado e automobilística, entre outros segmentos, o material comporta-se como uma solda, evitando erros, consertos, atrasos e falta de padrão no funcionamento de uma confecção. Com shape minimalista, a coleção foi trabalhada também no tricô industrial que, ao contrário da imagem remetida por esse tecido, não precisa ser artesanal e nem trabalhado por longas horas. A cartela de cores combina ocre, vinho, cinza, preto e branco inspirados na ambientação de uma indústria e na beleza não literal nela escondida. Conciliando o desejo do público e do mercado da moda, Luiza Senna inova e conquista a excelência unindo arte e automação.

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Hellen Formaggini
Coleção: Gris

Nas ruas e nos quarteirões de uma cidade, os contrastes são vizinhos tão próximos quanto impensados. Existe a delicadeza do doméstico impregnada pela pressa dos horários. Há a necessidade de se carregar consigo, nos bolsos, objetos que mal sabemos quando serão utilizados. Uma certeza é: quem flana enxerga como residem encantadores e inusitados detalhes em uma realidade quase ignorada. A coleção Gris traz na irregularidade e na rudeza do tricô de seda primitivo a urgência dos dias, da vida urbana. Vemos, nas roupas, a dureza da pressa complementada pela delicadeza de tecidos mais tenros; compreendemos a rigidez de um shape retilíneo dobrada por fluências inesperadas. É como se flanássemos por uma cidade de extremos e entendêssemos a beleza de cores frias que inexplicavelmente se casam com tramas sensíveis. Atenta às minúcias de uma vida atribulada, a estilista Hellen Formaggini procurou nos cantos, nas curvas e no concreto a sensibilidade da rotina urbana. Expressou na sua coleção que a vida dura se dobra por uma flor na calçada, por um velho assentado na praça, por um desenho feito no muro Gris.

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Gabriela Mizerani
Coleção: Mizê

O trabalho desenvolvido pela estilista Gabriela Mizerani nasceu do entrelaçamento entre o feminismo, a moda do início do século XX e a arte de Georgia O’Keeffe. Cada peça traz os conceitos da coleção em sua singularidade. Os volumes surgiram das extensas flores de O’Keeffe, o shape justo da lembrança dos espartilhos. As transparências e as calças foram inspiradas na evolução da indumentária feminina. Cetins, tules, organzas, crepes e sedas foram usados nos tons secos de rosa, cinza, verde e azul com o objetivo de realçar o fulgor e a delicadeza das mulheres. Os detalhes foram feitos à mão, com destaque para a textura desenvolvida através do bordado 3D em acrílico e organza. A grande questão do tema foi lembrada na modelagem que, ampla ou justa, em tecidos ora opacos, ora translúcidos, nos remete à dualidade do conflito interno feminino: ser forte e independente, além de frágil e sensível.

Grandes e novos talentos da nossa moda mineira, SUCESSO!

 

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