Fashion Revolution na Capital da Moda

 A 6ª edição do movimento em BH promove ações em defesa de políticas públicas de gênero, de raça e de mais transparência na comunicação de marcas. Não perca!
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De 23 a 26 de abril acontece a Semana Fashion Revolution Belo Horizonte no Museu da Moda (MUMO-BH).  O evento surgiu em decorrência do quarto maior desastre industrial da história, em 24 de abril de 2013, em Bangladesh, no edifício Rana Plaza, que desabou e matou 1.138 pessoas, deixando outras 2.500 feridas. As vítimas, que trabalhavam em fábricas que produziam roupas para grandes marcas globais, eram em sua maioria mulheres jovens, em condições análogas à escravidão. Desde 2014, o movimento vem se espalhando por diversas capitais do mundo para pedir mais transparência da indústria da moda com seus fornecedores e consumidores, a partir da hashtag #QuemFezMinhasRoupas, além de aumentar a conscientização sobre o verdadeiro custo da moda e seu real impacto, da produção ao consumo, para a economia, para o meio ambiente e, principalmente, para os direitos humanos de milhares de trabalhadores, além de promover discussões sobre políticas públicas de gênero e de diversidade para o setor fashion.

A produção global de têxteis emite 1,2 bilhão de toneladas de gases de efeito estufa anualmente, mais do que os voos internacionais e os transportes marítimos juntos. Segundo dados da ONU Meio Ambiente, a indústria da Moda perde cerca de US$ 500 bilhões ao ano com o descarte de roupas que vão direto para aterros e lixões sem serem recicladas, conforme reportagem do Valor Econômico(21/03/2019). Pesquisas apontam que as peças de vestuário estão entre os itens com maior risco de serem produzidos por meio da escravidão moderna. O abuso sexual, a discriminação e a violência de gênero contra mulheres são endêmicos na indústria global de vestuário, onde as mulheres representam em média 80% da força de trabalho. O Global Slavery Indexencontrou 40,3 milhões de pessoas em situação de trabalho análogo à escravidão em 2016, das quais 71% são mulheres.

Por outro lado, com um passado escravocrata, que completa apenas 131 anos de abolição em 2019, nosso país conserva um racismo estrutural que se reflete na indústria da moda, evidenciando a necessidade de se discutir políticas de diversidade e antirracistas. Enfim, fiscalizar e melhorar a forma como as roupas são produzidas, compradas, cuidadas e descartadas é responsabilidade de todos e os governos devem fazer mais para garantir que o futuro da moda seja socialmente responsável e justo, economicamente viável, ambientalmente sustentável e regenerativo por princípio. E para fomentar essas discussões, oFashion Revolution BH organizou uma programação com palestras, oficinas e exposições, aula especial sobre “Roupas Subversivas e Feminismo”, além dos debates “Moda & Transparência na Comunicação de Marcas” e “Moda & Diversidade”. Tudo com entrada gratuita, mediante inscrição e senhas antecipadas, pois as vagas são limitadas.

SERVIÇO

Representante Fashion Revolution BHLívia Monteiro

Co-organizadora e curadora de debates e conteúdo: Valéria Said

Contato:fashionrevolutionbh@gmail.com

Local: Museu da Moda de Belo Horizonte – Rua da Bahia, 1149 – Centro

Inscrições pelo Facebook: Semana Fashion Revolution Belo Horizonte 2019https://www.facebook.com/events/1833343056769628/?event_time_id=1833343060102961

PROGRAMAÇÃO OFICIAL

Mostras Expositivas de 23 de abril a 12 de maio

– “Feminicídio, bordando a resistência” (COLETIVO LINHAS DO HORIZONTE) & “A Chita e o Feminismo no estandarte do QANM”(MOVIMENTO QUEM AMA NÃO MATA)
Coletivo Linhas do Horizonte vai expor o varal bordado à mão,“Feminicídio, bordando a resistência”, que trará o nome de mulheres que tiveram suas vidas ceifadas, vítimas do feminicídio, além de outros dados bordados. A mostra é uma parceria com o Movimento Quem Ama Não Mata, que também exibirá seu estandarte, feito à mão com fuxicos, lamê, flores, franjas vintage e colagens de chita e cristais, ilustrando o texto “A Chita & o Feminismo no estandarte do QANM”.A temática faz parte da agenda de políticas públicas de gênero do Fashion Revolution Brasil 2019.

– “Transparência: o custo real de um look”, por FASHION REVOLUTION BH
A exposição “Transparência – o custo real de um look” vai apresentar peças de diferentes marcas que fazem parte do cenário da moda sustentável local. A mostra visa a repensar os processos de consumo inteligente e consciente, evidenciando as novas linguagens de produção e aquisição das roupas. Por meio de tags abertas, o público poderá verificar os custos reais de fabricação e venda, a fim de refletir sobre a importância da transparência na comunicação das marcas, com o público e os fornecedores.

Stylist convidado: JULIANO SÁ – Editor e Produtor de Moda. Graduado em Arquitetura e Urbanismo pela Universidade Fumec. Atualmente, assina campanhas, editoriais de moda e de produtos para empresas de moda, publicidade e propaganda e veículos do setor.

Marcas parceiras:

BY MY HANDS

COOLRINGA

FLORENT

GRAMA

MICCIORI

MOLLET

SOLO

TIÊ MODA SUSTENTÁVEL

– “Ternitura: um costume para leveza”, por JOÃO FREDERICO ALMEIDA

O projeto propõe o entendimento da vestimenta como um suporte portátil e sustentável, no qual se inserem narrativas que são estabelecidas pelas experimentações com o material e com a expressão dos fenômenos da nossa realidade. A partir da fermentação do kombuchá, a celulose bacteriana obtida é entendida como uma potência para se estabelecer uma relação íntima entre “técnica-usuário-objeto”. João Frederico Almeida é designer de Produto pela Escola de Design da UEMG. Pauta sua pesquisa em uma busca pelo limiar entre Moda e Arte, compreendendo a vestimenta como um suporte reflexivo dos processos de subjetivação e de nosso desenvolvimento histórico.

– “Toda Matéria é Matéria”, por EMANUEL LUCAS

A exposição coloca o insumo, matéria-prima, como o ator principal na produção de tipologias de produtos e demonstra como uma base produtiva artesanal consegue absorver insumos de descarte e significá-los. Emanuel Lucas é designer e artesão, graduado em design de produto pela UEMG. Atualmente, trabalha em um centro de design automotivo e desenvolve peças autorais em seu próprio ateliê (Ateliê MaCraft).

–  “Quem fez o siteethicalfashionbrazil.com, por LUCIANA DUARTE

A instalação sobre o novo siteEthical Fashion Brazil (antigo Moda Ética, no ar desde 2007) faz umassemblage de resíduos têxteis, fiações de eletrônicos e sucata de computadores. Retratos da equipe e das telas do site emergem da colagem industrial, como fragmentos que atravessam o real e o virtual.

TERÇA-FEIRA –  23 de abril

16:00 às 20: 00 horas – Escambo de Roupas /1º andar

Vamos trocar de roupa na varanda do Mumo?

Curadoria: MAIANA CAVALCANTI

Vista de novo a peça do outro! Assim como você, sua roupa ainda tem muita história para marcar outras pessoas! Por isso, não tenha medo de desapegar e venha viver essa nova experiência de consumo! Traga até 3 peças de roupas que estejam paradas em seu armário, mas em bom estado de conservação e venha trocar por outras peças estilosas!! Vamos vestir essa ideia e tecer uma moda sustentável e afetiva com looks criativos!! Maiana Cavalcanti é fundadora do Projeto Muda. uma empresa de moda inteligente, multiplicidade e transformação. Graduada em Relações Internacionais (UNI-BH), Consultoria de Imagem (Daniela Amado Imagem e Comunicação), Produção de Moda (Escola São Paulo) e aprendiz do Corte Centesimal.

11:00 às 12:00 horas  Palestra

“Est(Ética) da Moda Contemporânea”, com SANDRA MAIA

Ética e estética são conceitos opostos? Por meio de um bate-papo descontraído sobre moda e linguagem, em tempos de redefinição, Sandra Maia vai mostrar as conexões entre ética e estética no campo da Moda. Sandra Maia é designer formada pela UEMG, pós-graduada em Direção Criativa em Moda (Universidade Una) e mestranda pela UEMG. Atua na área de moda e sustentabilidade desenvolvendo pesquisas, consultorias e palestras.

14:00 às 17:00 horas

Oficina “Modelagem Zero Waste”, com SANDRA MAIA

A técnica da modelagem zero waste (resíduo zero) não é recente, origina-se desde os tempos em que o tecido era artigo de luxo e a roupa era pensada para ser aproveitada completamente. A oficina vai disponibilizar conhecimentos básicos sobre essa antiga técnica, no contexto da sustentabilidade e da economia criativa, com o objetivo de exercitar novas formas de fazer e pensar a roupa, sem o desperdício de tecido em seu método de corte. Para participar da oficina, você vai precisar de: régua, esquadro, lápis de desenho, borracha e tesoura.

Local: Sala de Oficinas MUMO

Inscrições pelo Sympla

17:00 às 18:15 Roda de Conversa 

“Desafios dos Negócios Colaborativos na Moda”, com FERNANDA GOMES

Empresários que possuem diferentes negócios colaborativos na moda discutem sobre os desafios e as tendências de mercado, comportamentos dos usuários, tipos de consumidores e inovação nos modelos de negócio.

Convidados:

LUISA JUNQUEIRA – Gestora de negócios e CEO da Casa Juta

TAISA LOPES – CEO do Coworking em Casa

TÂNIA ARAUJO – Pedagoga, consultora de imagem e CEO do Nuideas

POLIANA BITTENCOURT E MARCO BRASIL – Sócios da Fixbitt

Mediação:

FERNANDA GOMES – Publicitária, CEO da Selletiva e Idealizadora da Feira Inquieta

Local: Teatro de Bolso do MUMO

Atividade gratuita, mediante retirada de senha 30 minutos antes

18:30 às 20:00 – Palestra

“A invenção da cultura: do confronto de si mesmo à moda ética”, com LUCIANA DUARTE

A fundadora do site Ethical Fashion Brazil/Moda Ética, Luciana Duarte, doutoranda em Engenharia de Produção, fará uma palestra sobre a invenção do eu, invenção da sociedade, confronto, criação e destruição da cultura. Também vai abordar a cultura entendida como natureza, além da moda como expressão cultural e de si mesma, problematizando o confronto da ética da moda. Luciana Duarte é expert em ecotêxteis, engenharia reversa, produção mais limpa, projeto de fábrica, projeto de trabalho e processos de desenvolvimento complexos. Líder em projetos beneficentes de alto impacto e reconhecimento social em Belo Horizonte, como “The Street Store” e “Pimp My Carroça/Pimpex BH”, para moradores de rua e catadores de recicláveis.

Local: Teatro de Bolso do MUMO

Atividade gratuita, mediante retirada de senha 30 minutos antes

QUARTA-FEIRA – 24 de abril

10:00 às 12:00 – Palestra

“Aplicações de wearables electronics no vestuário”, com NATACHA LAMOUNIER

Na palestra, será apresentado o conceito de “wearables electronics” (tecnologia vestível) e seus princípios tecnológicos aplicáveis à moda. Em seguida, serão mostrados outros componentes eletrônicos que podem participar do vestuário, como sensores, atuadores, fio condutor, entre outros. Será apresentado o case Roupa Wearable Technology, que se movimenta em resposta a um sensor manual. Natacha Lamounier é pesquisadora em Arte Digital, graduada em Engenharia de Materiais, pelo CEFET, e formanda em Design de Moda, pela UFMG. Atualmente trabalha com Wearables Electronics pensados em uma relação do corpo com a arte e a tecnologia.

Local: Teatro de Bolso do MUMO

Atividade gratuita, mediante retirada de senha 30 minutos antes

16: 00 às 17:00 – Palestra

“ Tecnologia na redução de custos e sustentabilidade para o mercado de moda”, por ALESSANDRO ALMEIDA

O diretor-fundador da Agência Convert Midia, Alessandro Almeida, vai falar sobre o aplicativo desenvolvido pela sua agência para solucionar problemas do mercado de moda, com foco na redução de custos, sustentabilidade, autonomia e acessibilidade. Por meio de cases, o publicitário e administrador de empresa, que tem entre seus clientes marcas que participam doMinas Trend, vai mostrar como custos de produção e montagem de um showroom podem ser racionalmente planejados por um aplicativo para tablets e smartphones. Voltado exclusivamente para vendas no atacado, o aplicativo substitui a impressão de papel, evitando o desperdício de papel, como a necessidade de criação de um mostruário de venda.

18:00 às 19:00 –   Palestra

“O jornalismo de Moda em BH, ontem e hoje”, com TITITA MOTTA

A jornalista de Moda, que desde 1980 cobre a moda mineira, vai contar um pouco de sua vasta experiência em reportagens sobre o mercado da moda em Belo Horizonte e o cenário atual para pautas de transparência na comunicação de marcas. Teresa Cristina Motta, jornalista e publicitária, cobre o setor de moda desde os anos 1980. Colaborou para diversas publicações do mercado paulista. Entre elas a Vogue Moda e as revistas World Fashion e World Fashion Varejo (Link Editora). Em Belo Horizonte foi editora do caderno de moda do jornal Hoje em Dia, redatora em O Tempo e editora-chefe do semanário Pampulha. Passou ainda pela redação da revista Encontro, onde manteve coluna e foi responsável por edições especiais de moda, joias e decoração. Foi assessora de comunicação da Secretaria de Estado de Cultura e lecionou na faculdade Cimo de graduação em moda a comunicação para o setor. Participou da equipe de redação e edição do livro Arte em Couro: a força empreendedora e a energia criativa da indústria de calçados e bolsas de Belo Horizonte, Belo Horizonte, BID, IEL FIEMG. Atualmente, produz conteúdo para sites, blogs e mídias sociais, e redação de argumento para seriados de televisão sobre os temas moda e sustentabilidade (Vídeo Design, Rio de Janeiro).

Local: Teatro de Bolso do MUMO

Atividade gratuita, mediante retirada de senha 30 minutos antes

19:00 às 21:00 – Aula Especial(Fashion Revolution BH/Movimento Quem Ama Não Mata)

“Roupas Subversivas & Feminismo”,com VALÉRIA SAID

A professora, jornalista e pesquisadora de Moda e Política, Valéria Said, vai ministrar aula e bate-papo com o público presente, relacionando roupas subversivas do século XVIII ao XX com o Feminismo. O objetivo é refletir como o dimorfismo sexual no vestuário – historicamente ligado ao controle social dos corpos femininos, endossou a ideologia que justificava (e ainda justifica) a constituição de papeis sociais subalternos para as mulheres. Valéria Said é  articulista e uma das organizadoras do Movimento “Quem Ama Não Mata”, que promove atividades político-culturais contra toda forma de violência à mulher.